Temos observado que as crianças têm vindo para a escola cada vez mais novas. Aos 02 anos as famílias já procuram a escola para matrícula na Educação Infantil. Isso acontece porque a escola, na maioria das vezes, é o único lugar onde a criança vai encontrar com outras da sua faixa etária.
As famílias estão cada vez menores, com poucos primos, com um ou dois filhos e com um intervalo grande entre as crianças. Situação diferente de 10 ou 20 anos atrás quando a convivência familiar era mais numerosa. Além disso, era maior a possibilidade de interação com vizinhos.
Quando as famílias decidem inserir seus filhos na escola, geralmente buscam colocá-los cedo para incentivar o aprendizado, a socialização e as novas experiências para as crianças.
É nesse contexto que as crianças começam, desde cedo, a entender a dinâmica escolar. As tarefas e responsabilidades, as obrigações, os métodos de aprendizagem e as interações com outras crianças de sua idade. Além disso, a Educação Infantil oferece oportunidades de momentos lúdicos, estruturando ambientes preparados para receber as crianças. Isto é, com estímulos, espaços de brincadeiras, salas dedicadas e muitos outros recursos importantes no desenvolvimento infantil.
É na primeira fase escolar que se desenvolvem bons hábitos, tanto de rotina quanto de relacionamentos. Nas interações com outras crianças, elas têm a oportunidade de reforçar características como respeito, empatia e atenção ao próximo. Esse aprendizado ajuda a formar laços, cria oportunidades para a criança socializar e, claro, auxilia na formação da personalidade.
O ambiente da escola é muito importante para as crianças, por se tratar de um ambiente alfabetizador. Muitas famílias não têm tempo ou disponibilidade para realizar atividades que auxiliem no processo educativo. Então, é na escola que as crianças começam a primeira fase em muitas habilidades. Por exemplo, mesmo antes da alfabetização, as atividades lúdicas e de leitura na escola ajudam a criança a começar a entender a importância das palavras. As brincadeiras motoras, por seu turno, vão ajudar a desenvolver coordenação e destreza.
“É um processo de construção de conhecimento”, afirma Cláudia Berdague, diretora do IASC. “E a Educação Infantil é a base. Ou seja, essa fase trabalha todos os conceitos, de todas as áreas de conhecimento que essa criança vai ver até o Ensino Médio”, explica.
Isso envolve trazer ludicidade para que o aluno entenda conceitos necessários a fases escolares posteriores. “Os meninos vão fazer bolo e vão misturar ovos, trigo, leite, bate e fica uma massa homogênea, correto? Depois quando eles chegam no Ensino Médio e vão estudar Química, eles vão ver a mistura dos componentes”, exemplifica Cláudia. “Então, isso vai virando fórmulas e aí fica mais complexo, mas o conceito já foi trabalhado na Educação Infantil, a transformação da matéria”.
“A Educação Infantil não ensina o menino a ler e escrever, mas mostra a função social da escrita, que é possível comunicar saberes e acessar os saberes do outro contando histórias . Depois de a criança ser alfabetizada no Fundamental I, começa a desenvolver a produção de texto, até chegar na redação do ENEM. A base para tudo isso é da Educação Infantil que trabalhou a função da escrita e a função da leitura”, continua a diretora.
Um fator importante para crianças na escola é a oportunidade de socializar com outras da mesma idade. Em muitos casos, elas não têm a oportunidade de fazer isso em casa. Enquanto isso, é na escola que conseguem se estabelecer com seus pares, e a Educação Infantil é a porta de entrada. Dentro da sala de aula, em atividades mediadas ou mesmo em recreios e atividades livres, os alunos interagem entre si. Isto é, uma chance de brincar, conversar, desenvolver a imaginação e se divertir.
Quando há dificuldades, o ambiente da escola também é propício para resolvê-las, explica Cláudia. “Se o professor percebe que nesse brincar livre tem alguma criança que está retraída, trabalha isso em sala de aula como uma intervenção pedagógica. A intenção é integrar aquela criança ao processo social da turma”.
A estrutura da escola é essencial para as crianças. Em primeiro lugar, existe o fator tempo na Educação Infantil. Como os alunos vão seguir para o Ensino Fundamental em poucos anos, é importante que desenvolvam habilidades como seguir orientações do professor e ter rotina. Portanto, o cronograma de uma sala de aula ajuda no desenvolvimento dessas habilidades, o que torna o processo depois disso muito mais fácil. No entanto, as crianças que não estão acostumadas ao ambiente escolar podem ter mais dificuldades no Ensino Fundamental.
Quando a criança não inicia o ano letivo junto com os colegas, pode acontecer uma lacuna pedagógica. Isto é, quando ela chega na escola no semestre ou ano seguinte, compartilha a sala de aula com crianças. Nesse caso, os colegas já estão à frente em algumas habilidades. Com isso, pode experimentar frustração ou ter certa dificuldade em acompanhar o processo da Educação Infantil.
Certamente o ambiente físico da escola também deve ser cuidadosamente pensado. A maior parte das instituições tem espaços dedicados à Educação Infantil, com salas de aula montadas especialmente para os pequenos e locais com parquinhos, espaços de brincadeira e área para prática de esportes . Da mesma forma, em algumas, é possível encontrar salas de música, bibliotecas, brinquedotecas e outros espaços interessantes para a aprendizagem.
“A criança pode ter muito mais experiência com o que o espaço oferece para ela. Por exemplo, um espaço para crianças de dois ou três anos com muita informação e cor estimula muito mais do que um lugar monocromático”, diz Cláudia. “O simples fato de ela estar naquele espaço colorido já aguça os sentidos e estruturas cerebrais”.
“Os hábitos e ensinamentos que cultivamos no início da vida escolar refletirão na fase adulta. Não somente na carreira profissional, mas também no modo como se relacionam com o mundo e as pessoas”, explica a Dra. Lais Fadini. Ela é pediatra especialista em saúde coletiva pelo Instituto de Saúde Coletiva da UFBA.
Ela acrescenta que o aprendizado emocional igualmente faz parte do currículo. “É importante destacar o desenvolvimento da inteligência emocional cultivado no meio escolar. A criança nem sempre terá a atenção total do professor. Também não ganhará todas as brincadeiras e nem terá o melhor desempenho em todas as atividades. Nesses momentos, com ajuda do professor, o pequeno vai aprender a lidar com frustrações. Vai tirar lições proveitosas, entendendo que participar e tentar novamente fazem parte da vida”.
No momento atual, em razão da pandemia , existe uma dificuldade especial imposta ao Educação Infantil. Além disso, com as adversidades apresentadas pelo ensino remoto e o distanciamento social, muitas crianças deixaram de entrar no ambiente escolar. Em primeiro lugar, surge o obstáculo de estabelecer vínculos com outras crianças da mesma idade, em segundo lugar há o estresse dentro do ambiente familiar.
Dra. Lais considera que essas dificuldades evidenciam a importância do Educação Infantil. “Em tempos de pandemia, com ensino remoto, as famílias têm entendido como é difícil o ato de ensinar, e como isso requer paciência e principalmente especialização! Como pais, para ajudar nossos pequenos em ensino a distância, podemos tirar um período do dia, sem pressa, para além de ajudar nas atividades, observar qual a dificuldade do seu filho em relação ao ambiente virtual. Notando o que dificulta o aprendizado, converse com o professor e juntos vocês poderão traçar estratégias para facilitar a aprendizagem”.
Mas ela acredita que paciência e parceria são fundamentais no processo de adaptação. “Peça ajuda à escola nos obstáculos que você e seu pequeno enfrentam nesta nova realidade do ensino virtual. Respire fundo, se precisar de um momento, se respeite e acima de tudo, respeite o tempo de aprender do seu filho!”.
Diferentes opções podem surgir no futuro que beneficiem as crianças, a família e o ambiente pedagógico. Com a possibilidade de retomada das atividades escolares de forma híbrida, Cláudia está otimista com o início das atividades para a Educação Infantil. “Pensamos em atender as crianças de forma presencial, para isso iremos reduzir a quantidade de alunos por sala durante a pandemia. Atendendo ao protocolo e capacidade de atendimento das nossas salas. As crianças estarão em interação com o professor diariamente. No início, caso seja necessário, podemos ainda ter vídeos, sala virtual e outras estratégias que a professora vai ter a oportunidade de direcionar. Mas, por experiência, vimos que o virtual traz muita dificuldade para o aluno da Educação Infantil. Isso ocorre porque o tempo de atenção da criança varia conforme a idade e ainda tem a necessidade da presença de um adulto”.
Para a diretora, a principal razão da Educação Infantil ter grande importância na formação das crianças é a intencionalidade de cada atividade. “Tudo tem um planejamento, tudo tem um porquê, tem uma intenção de educar, uma intenção de ensinar e aprender”, conclui.
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